A Trabalho, Educação e Saúde (TES) é uma revista científica em acesso aberto, editada pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz.

Edição Atual | v. 20 (2022)

Publicação contínua

A Trabalho, Educação e Saúde (TES) publica contribuições originais sobre os campos da educação e da saúde, discutindo-os sob a ótica da organização do trabalho contemporâneo, de uma perspectiva crítica e interdisciplinar. Para submeter um texto, consultar a Política Editorial e as Instruções aos Autores.

Pavlofox/Pixabay Editorial
Retornos (aquarela), de Beth Palatnik Artigo de Revisão

Incorporações e usos do conceito de recovery no contexto da Reforma Psiquiátrica Brasileira: uma revisão da literatura

Brandão, A D d L;
Figueiredo, A P;
Delgado, P. G. G.

Incorporações e usos do conceito de recovery no contexto da Reforma Psiquiátrica Brasileira: uma revisão da literatura

O conceito de recovery no campo da saúde mental, oriundo do movimento de pacientes e familiares nos países anglo- axões, tornou-se relevante para a compreensão de práticas de cuidado, valorizando aquelas que incorporem o protagonismo dos usuários e uma dimensão crítica dos métodos de tratamento. Tendo como objetivo investigar as diferentes perspectivas nas quais o conceito vem sendo compreendido e experimentado no contexto da Reforma Psiquiátrica Brasileira, realizou-se uma revisão integrativa da literatura publicada no país sobre o recovery, tomando como critério de inclusão textos que relatam ou analisam experiências concretas de cuidado e que se definam como sendo ‘baseadas no recovery’. Após ampla busca, foram analisados 32 trabalhos, entre artigos, dissertações e teses. O termo recovery aparece na bibliografia brasileira de saúde mental a partir de 2011, e os trabalhos concentram-se notavelmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, ligados a instituições de ensino superior e pesquisa. Grande parte da produção não incorpora elementos-chave do conceito estudado, como o protagonismo de usuários, além de por vezes tomar recovery como sinônimo de reabilitação psicossocial. Apesar do avanço e da consolidação do campo da atenção psicossocial no país, a dimensão do protagonismo de usuários ainda é incipiente na experiência brasileira.

Foto: Retornos (aquarela), de Beth Palatnik


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Michael Carruth/Unplash Nota de conjuntura

Negacionismo científico: do debate epistemológico à luta de classes

Guimarães, C. C.

Negacionismo científico: do debate epistemológico à luta de classes

O texto debate o negacionismo científico com base em duas referências principais. A primeira é de ordem epistemológica e remete ao discurso pós-moderno sobre a ciência, com sua relativização dos critérios de busca e definição da verdade. Compreende, no entanto, que, contemporaneamente, esse fenômeno ultrapassa os espaços de discussão científica, atingindo o conjunto da sociedade. Para dar conta dessa particularidade, tem, como segunda referência, discussões sobre o processo de formação de opiniões, concepções de mundo e convicções do que o filósofo italiano Antonio Gramsci chamou de ‘homem do povo’. São usados, para esse fim, o conceito de senso comum, do mesmo pensador e militante sardo, e a teorização de Agner Heller sobre como a adesão aos diferentes conhecimentos que atravessam o cotidiano das pessoas depende de sentimentos de identidade como a fé (não religiosa) e a confiança que, segundo a autora, têm motivações e efeitos distintos. Defende, por fim, que é preciso reafirmar a objetividade como um critério da ciência no debate epistemológico, mas que é igualmente necessário enfrentar esse problema no terreno da luta de classes, fortalecendo relações orgânicas de identidade e confiança como parte da disputa de hegemonia.

Foto: Michael Carruth/Unplash


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Peter Ilicciev/FiocruzImagens Artigo

O farmacêutico entre o trabalho prescrito e o real na Atenção Primária à Saúde

Barberato, L C;
Scherer, M D d A;
Carvalho, W M d E S;
Costa, L H;
et al.

O farmacêutico entre o trabalho prescrito e o real na Atenção Primária à Saúde

O trabalho do profissional farmacêutico na Atenção Primária à Saúde está em permanente construção. Este artigo analisa o trabalho realizado pelos farmacêuticos na gestão entre o que está prescrito e o que o real exige, na atenção primária do Distrito Federal. Trata-se de um estudo de caso, com triangulação na coleta e na análise dos dados, obtidos por meio de entrevistas e observação do trabalho de farmacêuticos de cinco Regiões de Saúde, resultando em três categorias: estrutura das farmácias; organização do trabalho; tempo e tarefas. O estudo evidencia que o farmacêutico tem sua atuação centrada nos seguintes grupos de ações: pausas; trabalho gerencial/logística; interrupção; atendimento aos usuários. As tarefas ligadas à assistência ao usuário são pontuais e esporádicas, com o foco da atuação nas gerenciais, sobretudo a logística. Apesar dos limites estruturais das farmácias, há elementos no contexto, revelados pelos farmacêuticos, que podem favorecer a ampliação das atividades técnico-assistenciais: a garantia do acesso aos medicamentos como princípio ético; as normativas; a postura de aprendizagem dos profissionais e de abertura para enfrentar o inusitado; a conexão com necessidades da equipe da Unidade Básica de Saúde; a ação coletiva dos farmacêuticos e a formação sobre cuidado farmacêutico.

Foto: Peter Ilicciev/FiocruzImagens


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Artigo

A potência do SUS no enfrentamento à Covid-19: alocação de recursos e ações nos municípios brasileiros

Lui, L;
Lima, L;
Aguiar, R;
Machado, J;
et al.

A potência do SUS no enfrentamento à Covid-19: alocação de recursos e ações nos municípios brasileiros

Neste artigo, objetivou-se analisar a forma como os governos municipais responderam à crise sanitária e quais medidas desenvolveram em termos de diagnóstico da Covid-19 e alocação dos recursos provenientes de fontes federais. Para tanto, informações oriundas de uma pesquisa com 4.061 prefeitos coordenada pela Confederação Nacional dos Municípios foram sistematizadas e comparadas com outras bases de dados oficiais. Conclui-se que, a despeito da falta de instrumentos de coordenação desenvolvidos em âmbito federal, a destinação dos recursos e o desenvolvimento de políticas por parte dos municípios se orientaram pela concentração de serviços de referência regional em municípios de grande e médio portes.


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Imagem de Gerd Altmann/Pixabay Artigo

Identidade profissional de assistentes sociais no IFSC: entre o assalariamento e o direcionamento social

Garcia, S;
Silva, A. L. d.

Identidade profissional de assistentes sociais no IFSC: entre o assalariamento e o direcionamento social

Este artigo apresenta uma análise sobre o trabalho dos/as assistentes sociais no Instituto Federal de Educação de Santa Catarina, em sua relação com o processo de construção da identidade profissional. A partir do final dos anos 2000, observa-se uma expansão no número de assistentes sociais atuando na política educacional, com a constituição do Programa Nacional de Assistência Estudantil e da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, requisitado, principalmente, para a execução das ações de assistência estudantil. As demandas, requisições e condições de trabalho são elementos que corroboram a construção do projeto ético-político da profissão, e refletir sobre tais aspectos possibilita compreender a realidade para além da sua aparência imediata. Este estudo, fundamentado no materialismo histórico-dialético, desenvolveu-se com base na pesquisa bibliográfica e documental e na pesquisa de campo, utilizando-se do questionário para o levantamento de dados. Os resultados apontam limites e possibilidades ao trabalho dos/as assistentes sociais no Instituto, demonstrando que a construção da identidade profissional ocorre em meio à contradição posta entre as determinações do trabalho assalariado, ao qual os/as assistentes sociais estão sujeitos, e o direcionamento social que se busca imprimir ao exercício profissional, tendo em vista a materialização do projeto profissional.

Imagem: Gerd Altmann/Pixabay


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StockSnap/Pixabay Artigo

‘Bocas trabalhadoras’ e os reparos possíveis em tempos de pandemia

Couto, J G A;
Botazzo, C.

‘Bocas trabalhadoras’ e os reparos possíveis em tempos de pandemia

Neste artigo, o objetivo foi realizar uma análise crítica da relação entre saúde bucal e trabalho. A reflexão emergiu do aumento expressivo na busca por atendimentos de urgência odontológica em uma unidade básica de saúde durante a pandemia pelo coronavírus, em que os sujeitos apresentavam algo em comum: a demissão de seus empregos em fábricas de calçados. Com apoio na teoria social crítica, efetuou-se uma análise sobre como o trabalho, entendido como categoria fundante do ser social, tem o seu sentido esvaziado nas sociedades capitalistas, operando mais como um obstáculo à saúde bucal na dinâmica do trabalho assalariado e alienado. Isso porque pôde-se perceber que os sujeitos recém-desempregados acumulavam diversas necessidades em saúde bucal, como infecções e inflamações que causavam sofrimentos, até então internalizados e escondidos para que pudessem manter seus empregos em um contexto de desemprego iminente, possibilitando assim que pudessem seguir reproduzindo a sua vida material. Pensar a relação entre saúde bucal e trabalho nos aproxima da compreensão do processo saúde-doença como socialmente determinado, quando as relações de trabalho explorado se materializam nas ‘bocas trabalhadoras’. Desse modo, vislumbra-se a democratização do acesso à saúde bucal entendida como o direito a uma vida plena.

Foto: StockSnap/Pixabay


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StockSnap/Pixabay Artigo

Perfis profissionais de planos de cursos técnicos em saúde: mercado, SUS e formação humana

Corrêa, A K;
Clapis, M J;
Moraes, S. H. M. d.

Perfis profissionais de planos de cursos técnicos em saúde: mercado, SUS e formação humana

O estudo que originou este artigo é do tipo qualitativo, documental e de perspectiva histórico-dialética, cujo objetivo é refletir sobre aproximações e afastamentos da formação de técnicos da área da saúde em relação ao Sistema Único de Saúde e à formação humana, mediante a análise de sete planos de cursos, com foco no perfil profissional de seis escolas (quatro públicas e dois estabelecimentos de ensino privados) do estado de São Paulo. A análise foi feita com base nas relações estabelecidas entre perfis profissionais e alguns dispositivos político-legais. A explicitação do Sistema Único de Saúde na descrição dos perfis é fragilizada, não havendo referência, na maioria dos planos, exceto em dois da enfermagem (um deles pertencente à Escola Técnica do Sistema Único de Saúde). Essa fragilidade vai ao encontro dos catálogos nacionais dos cursos técnicos nas versões utilizadas das áreas profissionais em foco. Nos planos, com ênfase nos cursos técnicos em farmácia e nutrição e dietética, sobressai nas justificativas e tendências o enfoque explícito ao mercado. Há apropriação de conceitos potencializadores da lógica neoliberal, mesmo com indicação de ‘formação crítica’. É desafiante a proposição de formação humana e a favor do Sistema Único de Saúde na educação profissional técnica de nível médio em saúde considerando-se os avanços da lógica neoliberal.

Imagem: StockSnap/Pixabay

   
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Foto do perfil do Nasf-AB no Facebook Artigo

Duas críticas às normativas dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família

Tesser, C. D.

Duas críticas às normativas dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família

Estudos empíricos identificaram insuficiências e precariedades na atuação de apoio matricial dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família. Este artigo, baseado em experiências assistemáticas diversas e literatura selecionada, defende duas teses interligadas que criticam aspectos das normativas federais originais para atuação desses Núcleos: uma concepção − implícita nas normativas − de atenção primária à saúde como cenário de ações situadas apenas em campos de competência compartilháveis, por um lado; e a opção de inserção desses Núcleos relativamente fora do fluxo assistencial dos usuários, por outro. Argumenta-se que ambas, provavelmente, geraram efeitos adversos envolvidos nos problemas de atuação desses Núcleos: contribuíram para a superestimação dos seus resultados esperados, para o seu subaproveitamento e subdesenvolvimento institucional e para a precarização da sua legitimidade, dificultada com a Política Nacional de Atenção Básica de 2017 e atingida gravemente com o desfinanciamento federal em 2019. Defendese o aperfeiçoamento dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família e sugere-se sua inserção no fluxo assistencial entre a atenção primária à saúde e a atenção secundária, para reduzir o isolamento entre ambas e aperfeiçoar a coordenação personalizada do cuidado, facilitar a legitimidade dos ‘matriciadores’, o apoio matricial e a educação permanente dos profissionais. profissionais.

Foto: perfil do Nasf-AB no Facebook


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Imagem de Mohamed Hassan/Pixabay Artigo

Educação física, gênero e mercado de trabalho: percepções de mulheres sobre a futura área de atuação profissional

Ungheri, B O;
Pacheco, L C;
Falcão, D;
Rocha, M. T. S.

Educação física, gênero e mercado de trabalho: percepções de mulheres sobre a futura área de atuação profissional

O estudo analisou a perspectiva de graduandas em Educação Física sobre o exercício de sua futura profissão, o mercado de trabalho e as questões de gênero. Desenvolveram-se quatro Grupos Focais, que foram apreciados sob a técnica de Análise de Conteúdo. Delinearamse quatro categorias de análise: Condição da mulher, Enfrentamento dos estereótipos, Percepções sobre a Educação Física e O mercado da Educação Física para elas. Concluiu-se que as estudantes prospectam enfrentar um mercado de trabalho desvalorizado e marcado por desigualdades entre homens e mulheres.

Foto: Imagem de Mohamed Hassan/Pixabay


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Artigo

Avaliação do contexto de trabalho do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência

Maciel, R H;
Cavalcante, A K S;
Medeiros-Costa, M E;
Melo, C. d. F.

Avaliação do contexto de trabalho do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência

O presente estudo objetivou avaliar o contexto de trabalho dos profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência em Fortaleza, Ceará. Foi realizada uma pesquisa transversal e descritiva, que contou com a participação de uma amostra não probabilística de 229 participantes de diferentes categorias profissionais que atuam no serviço. Os participantes responderam à Escala de Avaliação do Contexto de Trabalho, composta por três fatores. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e multivariada. Os resultados evidenciaram que os fatores analisados na escala – organização do trabalho, relações socioprofissionais e condições de trabalho – apresentaram índices críticos, que sinalizam um alerta para o risco de adoecimento. Conclui-se que os profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência vivenciam um risco potencial que poderá desencadear danos à saúde ocupacional. Recomenda-se que sejam efetivadas medidas para melhoria na organização do trabalho, em suas condições laborais e suas relações socioprofissionais.


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Artigo

A dinâmica da informalidade no Brasil e na Argentina (2012–2019) e a vulnerabilidade da classe trabalhadora

Souza, D M;
Trovão , C. J. B. M.

A dinâmica da informalidade no Brasil e na Argentina (2012–2019) e a vulnerabilidade da classe trabalhadora

O objetivo do presente estudo foi identificar o comportamento da informalidade no Brasil e na Argentina, no período de 2012 a 2019. A definição conceitual de informalidade tem como base a legislação e as relações trabalhistas. Fundamentado nas informações das pesquisas domiciliares oficiais, explorou-se o comportamento da informalidade segundo os distintos setores de atividade econômica e a classificação dos trabalhadores por faixas de rendimentos. O período em questão foi caracterizado por transformações que ampliaram a flexibilização das relações de trabalho, em um processo de reconfiguração do mercado de trabalho impulsionado por reformas trabalhistas que, em teoria, proporcionariam uma redução do peso do emprego informal na estrutura ocupacional, à medida que essa flexibilização avançasse. Os resultados não sugerem mudanças significativas no comportamento da informalidade, e corroboram que esse fenômeno continua afetando negativamente, com mais intensidade, os trabalhadores que mais necessitam de proteção social e garantia de direitos. Desse modo, as medidas de flexibilização das relações de trabalho, ao menos considerando o período em análise, não produziram os resultados prometidos. Destaca-se, ainda, uma relativa convergência nos resultados encontrados para os dois países.


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fernandozhiminaicela/2460 images/pixabay Artigo

Impacto da Covid-19 em profissionais de enfermagem: revisão sistemática e meta-análise

Souza, T P;
Rossetto, M;
Almeida, C. P. B. d.

Impacto da Covid-19 em profissionais de enfermagem: revisão sistemática e meta-análise

O trabalho de enfermagem possui uma demanda crescente, tornando-se extenuante especialmente durante a pandemia de Covid-19. Assim, o objetivo do estudo foi avaliar os impactos da pandemia de Covid-19 na saúde dos profissionais de enfermagem por meio de uma revisão sistemática da literatura com meta-análise, incluindo estudos publicados em 2020 na Web of Science, PubMed e SciELO. Em relação à revisão sistemática, incluímos 25 estudos, com desenho transversal, de 12 países. Os participantes eram em sua maioria enfermeiras ou equipes de enfermagem. Impactos mentais como ansiedade, depressão, desânimo e sentimento de obrigação de trabalhar foram frequentemente relatados pelos participantes dos estudos. As meta-análises incluíram variáveis de sofrimento psicológico, e nenhuma associação foi encontrada entre sofrimento psíquico e o fato de ser um profissional de saúde de linha de frente (OR 0,94; IC 95% 0,33–,67). A saúde mental dos profissionais de enfermagem foi impactada negativamente pela pandemia de Covid-19. Os principais sintomas apresentados foram ansiedade, depressão e desânimo, e muitas enfermeiras se sentiram obrigadas a trabalhar na linha de frente do combate à pandemia; embora sofram impactos emocionais e sobrecarga de trabalho nos serviços de saúde.

Foto: fernandozhiminaicela/2460 images/pixabay


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Artigo

A pandemia de Covid-19 como justificativa para ações discriminatórias: viés racial na seletividade do direito a acompanhante ao parto

Mittelbach, J;
Albuquerque, G. S. C.

A pandemia de Covid-19 como justificativa para ações discriminatórias: viés racial na seletividade do direito a acompanhante ao parto

Este artigo tem como objetivo analisar um subproduto inesperado encontrado na pesquisa de dissertação de mestrado intitulada A cor da violência obstétrica. Chamou a atenção dentre os dados levantados nas entrevistas que 86% das mulheres brancas puderam ter acompanhante de livre escolha em algum momento da internação para o parto. Entre as negras entrevistadas, somente 33% obtiveram autorização para exercer este mesmo direito garantido pela lei nº 11.108 de 2005. A justificativa utilizada pelos serviços de saúde para as mulheres que tiveram o direito a acompanhante negado foi a implementação de protocolos de controle e prevenção em relação à pandemia de Covid-19. Nas maternidades em que estas gestantes se internaram para o parto, não houve proibição irrestrita da presença de acompanhante durante a hospitalização. As instituições analisavam caso a caso. Esta avaliação subjetiva, sem critérios definidos, apresentou um viés racial na seletividade. Essas violações dos direitos das parturientes podem ser caracterizadas como racismo obstétrico.


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Alberto Giuliani, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons Artigo

Prevalência de sintomas de depressão e ansiedade em trabalhadores durante a pandemia da Covid-19

Guilland, R;
Klokner, S G M;
Knapik, J;
Crocce-Carlotto, P A;
et al.

Prevalência de sintomas de depressão e ansiedade em trabalhadores durante a pandemia da Covid-19

O estudo avaliou a prevalência de sintomas de depressão e ansiedade em uma amostra de trabalhadores brasileiros de diversos segmentos, durante a pandemia da Covid-19. Foi também verificada a correlação entre as escalas de ansiedade e depressão dos instrumentos de rastreio. Foram coletados dados on-line por meio de três instrumentos: questionário sociodemográfico e ocupacional, a Depression, Anxiety and Stress Scale - Short Form e o Inventário de Saúde Mental Ocupacional. Participaram 503 profissionais, destes 78,5% do sexo feminino, com idade média de 41,38 anos, das quais 92% cursaram o ensino superior e residiam na região Sul do Brasil. Ambas as escalas detectaram maior prevalência de sintomas de ansiedade em mulheres (54,3% e 59,9%) e em pessoas solteiras (68,8% e 68,1%). Houve associação significativa entre desfechos de sintomas de ansiedade e depressão e prevalência de duas variáveis independentes: o contato com pessoas diagnosticadas com Covid-19 e sentir-se preocupado com a pandemia. O Inventário de Saúde Mental Ocupacional mostrou maior sensibilidade para aferir sintomas de ansiedade e discriminar os trabalhadores que apresentam sintomas daqueles que indicam ter saúde mental, quando comparado ao outro instrumento. Sugerem-se estudos longitudinais para capturar os efeitos de longo termo dos desfechos avaliados, a fim de aperfeiçoar a análise dos preditores dos valores críticos e não críticos dos sintomas de agravos à saúde mental.

Foto: Alberto Giuliani, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons


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Thiago Japyassu/Unsplash Artigo

Processo de trabalho da Estratégia Saúde da Família na pandemia no Recife-PE: singularidades socioespaciais

Santana, M M;
Medeiros, K R;
Monken, M.

Processo de trabalho da Estratégia Saúde da Família na pandemia no Recife-PE: singularidades socioespaciais

Os múltiplos impactos da Covid-19 nos territórios de vinculação das equipes da Estratégia Saúde da Família requerem reorganizar o processo de trabalho. Neste estudo, propõe-se analisar as recomendações da Secretaria de Saúde da cidade do Recife (Pernambuco) direcionadas às mudanças no processo de trabalho da Estratégia durante a pandemia de Covid-19, relacionando-as com as singularidades socioespaciais dos territórios de vinculação das equipes. Trata-se de estudo de caso desenvolvido mediante pesquisa documental (N=14). Os resultados indicam que os componentes do processo de trabalho (objeto, instrumentos, ações e finalidades) estão centralizados na doença, pressupondo um trabalho com abordagem individual e clínica. As ações coletivas de promoção e vigilância são direcionadas quase que exclusivamente ao agente comunitário de saúde. Em geral, as recomendações não consideram a magnitude das necessidades de saúde decorrentes das repercussões da Covid-19 e contemplam de forma incipiente as singularidades socioespaciais dos territórios. No entanto, os resultados obtidos retratam apenas a perspectiva das recomendações, evidenciando a necessidade de se checar a operacionalização, na busca de compreender a direcionalidade e a amplitude do processo de trabalho reorganizado em virtude da pandemia de Covid-19 e sua relação com as singularidades socioespaciais.

Foto: Thiago Japyassu/Unsplash


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geralt/Pixabay Artigo

Comunidade de Práticas da Atenção Básica à Saúde: memória do horizonte de uma gestão coletiva da saúde

Guizardi, F L;
Machado, F R d S;
Lemos, A. S. P.

Comunidade de Práticas da Atenção Básica à Saúde: memória do horizonte de uma gestão coletiva da saúde

A pesquisa que originou este artigo teve como objetivo identificar experiências de apoio institucional no âmbito da Atenção Primária à Saúde, para apreender como ocorrem a difusão da proposta, os limites, dificuldades e resultados que ela alcançou em distintos contextos e realidades. O mapeamento foi realizado por meio de pesquisa documental na Comunidade de Práticas da Atenção Básica, resultando na inclusão de 38 relatos de
experiência. Os dados corroboram o potencial do apoio institucional para fomentar práticas e arranjos de gestão compartilhada na implementação de políticas e programas de saúde, na promoção de mudanças no processo de trabalho de equipes e na integração intra e interinstitucional. Ele é empregado como recurso para transformar indicativos normativos em relações sociais e dispositivos organizacionais no cotidiano da atenção
e da gestão do Sistema Único de Saúde. Os principais desafios identificados referem-se às resistências oriundas de dinâmicas culturais e comunicacionais atinentes a concepções e práticas de gestão influenciadas pelo modelo da administração clássica, além de um conjunto de questões operacionais que incidem negativamente nos resultados alcançados. A sistematização das experiências possibilitou-nos compreender que o apoio institucional demanda habilidades de mediação complexas, que precisam ser melhor compreendidas e instrumentalizadas, principalmente no tocante à participação da comunidade.

Foto: geralt/Pixabay


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Esquerda.Net/Flickr/via Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0 Artigo

As transformações recentes no programa de reabilitação profissional do INSS

Kulaitis, F;
Clemente Silva, K.

As transformações recentes no programa de reabilitação profissional do INSS

Neste artigo, analisam-se as transformações ocorridas no Programa de Reabilitação Profissional do Instituto Nacional do Seguro Social desde 2009. Considera-se que o referido serviço foi concebido e operacionalizado com base no chamado campo da Saúde do Trabalhador, mas sofreu, a partir de 2018, um processo de desestruturação. As características desse processo são reveladas por meio da análise dos manuais técnicos de procedimentos (2011, 2016 e 2018), pois neles se encontram concepções teóricas, regras de organização e objetivos do serviço. O artigo é desenvolvido em três partes que evidenciam, sequencialmente, a construção do campo da Saúde do Trabalhador, sua inserção na política pública de Previdência Social e, enfim, sua operacionalização e suas transformações por meio dos manuais de procedimentos. Os resultados revelam um processo de desestruturação do programa, que se afasta de uma concepção multidimensiona da saúde do trabalhador, ao mesmo tempo que a dimensão biológica se torna central.

Foto: Esquerda.Net/Flickr/via Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0


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Alberto César Araújo/Amazônia Real. Alguns direitos reservados Artigo

Curso em saúde mental no contexto da Covid-19 com povos indígenas por meio de ensino remoto

Kadri, M R E;
Melo, B D;
Souza e Souza, M;
Noal, D S;
et al.

Curso em saúde mental no contexto da Covid-19 com povos indígenas por meio de ensino remoto

O enfrentamento à Covid-19 suscitou a necessidade da formação em Saúde Mental para profissionais da saúde, educação, proteção social e lideranças comunitárias que atuam junto aos povos indígenas. Em seus cotidianos, essas comunidades já convivem com questões que impactam a saúde mental e a espiritual, mas o sofrimento psíquico ficou ainda mais evidenciado no contexto pandêmico. O curso ‘Bem viver: Saúde Mental Indígena’, voltado para mitigar o impacto psicossocial da Covid-19 nas populações indígenas da Amazônia brasileira, exigiu estratégias inovadoras ante o desafio de ensino remoto nesse contexto de conectividade limitada e isolamento territorial. Os desenhos pedagógico e operacional do curso priorizaram o diálogo intercultural na elaboração dos conteúdos com uso de diversas ferramentas de ensino para superar barreiras de conectividade e de entendimento da língua portuguesa no formato escrito. Apesar do desafio da produção coletiva e intercultural, dada a diversidade étnica, o curso foi um espaço de produção e trocas entre profissionais de diferentes áreas e lideranças comunitárias, sempre buscando um olhar ampliado sobre as práticas de cuidado, apoio psicossocial e valorizando as formas de atenção à saúde utilizadas pelas comunidades.

Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real. Alguns direitos reservados .


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Eric Antoni/Wikimedia Commons/CC BY-SA 4.0 Entrevista

Contribuições da ergologia para a gestão do trabalho: entrevista com Yves Schwartz

Scherer, M;
Pires, D E;
Prado, N M d B;
Menezes, E. L. C. d.

Contribuições da ergologia para a gestão do trabalho: entrevista com Yves Schwartz

Yves Schwartz é filósofo, professor emérito d’Aix-Marseille Université, França, foi professor catedrático da Universidade do Porto, Portugal e presidente fundador da Sociedade Internacional de Ergologia (SIE). Membro do comitê científico de revistas europeias e brasileiras e de várias sociedades científicas. Membro do Centre de Recherche sur le Travail et le Développement (CRTD) do Conservatoire National des Arts et Métiers (Cnam), Paris, França. A vasta obra de Yves Schwartz traz um aporte teórico e metodológico fundamental para subsidiar estudos sobre a ação humana que nos ajuda conhecer, compreender e intervir no trabalho. Esta entrevista foi realizada no contexto da pandemia de covid-19, que nos exige ainda mais reflexões sobre a atividade humana. Na entrevista buscamos conhecer como surgiu a ergologia e quais as contribuições que ela aporta para essas reflexões e para a compreensão dos desafios relacionados a gestão do trabalho.

Foto: Eric Antoni/Wikimedia Commons/CC BY-SA 4.0


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Slobodan Dimitrov, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons Ensaio

“Flores da revolução”: notas para uma pedagogia do trabalho em Paulo Freire

Souza, K. R.

“Flores da revolução”: notas para uma pedagogia do trabalho em Paulo Freire

O principal objetivo deste ensaio consiste em problematizar elementos constitutivos de uma pedagogia do trabalho presente nas obras de Paulo Freire, com ênfase na experiência registrada no livro Cartas à Guiné-Bissau. Destarte, uma das ideias que desenvolvo é aquela segundo a qual Paulo Freire, ao tratar do tema da educação de adultos, no decorrer de sua experiência como educador, tratou em última análise de processos de educação de trabalhadores, um patrimônio singular de educação crítica e libertadora da classe trabalhadora. Por meio da análise das cartas guineenses em diálogo com outras obras do próprio Freire e autores do campo do materialismo histórico, observaram-se fundamentos de uma pedagogia do trabalho de natureza revolucionária e caráter anticolonial. Assim, chegou- se a seis temas pedagógicos principais relacionados à categoria trabalho: educação e trabalho produtivo; a escola do trabalho; formação de trabalhadores; educação, produção e saúde; o novo intelectual coletivo; e pedagogia da luta e descolonização das mentalidades. ‘Flores da revolução’ consiste em um texto que celebra o fecundo legado teórico-etodológico freiriano, herdado pelo processo revolucionário de Guiné-Bissau, bem como comemora os cem anos de nascimento de Paulo Freire em 2021.

Foto: Slobodan Dimitrov, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons.


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Agradecimentos aos pareceristas