A Trabalho, Educação e Saúde (TES) é uma revista científica em acesso aberto, editada pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz.

Edição Atual | v. 24 (2026)

Publicação contínua

A Trabalho, Educação e Saúde (TES) publica contribuições originais sobre os campos da educação e da saúde, discutindo-os sob a ótica da organização do trabalho contemporâneo, de uma perspectiva crítica e interdisciplinar. Para submeter um texto, consultar a Política Editorial e as Instruções aos Autores.

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Vigilância alimentar e nutricional: perfil do trabalhador e condições de trabalho na atenção básica

Gadelha, A T T d F;
Souza, N P d;
Silva, C S d;
Tavares, F C d L P;
et al.

Vigilância alimentar e nutricional: perfil do trabalhador e condições de trabalho na atenção básica

O objetivo foi identificar características profissionais e condições de trabalho associadas à realização da vigilância alimentar e nutricional em unidades básicas de saúde do estado de Pernambuco. Foi realizada uma pesquisa transversal, on-line, em 2021, com uma amostra aleatória de 250 unidades. Identificou-se um profissional de saúde em cada unidade para preencher um questionário eletrônico. Procedeu-se à caracterização sociodemográfica e profissional dos participantes; de aspectos territoriais das unidades; e de ações da vigilância e processos de trabalho. As associações entre tais características e a vigilância foram analisadas pela regressão de Poisson com variância robusta. A vigilância alimentar e nutricional, referida em 57,6% das unidades, esteve associada à faixa etária mais jovem dos trabalhadores e a ações individuais de priorização de problemas e de promoção da alimentação adequada e saudável. Os achados indicam fragilidades de operacionalização e reconhecimento das ações de vigilância alimentar e nutricional na Atenção Primária à Saúde, evidenciando como a efetividade dessa vigilância é indissociável das características dos profissionais e de suas condições de trabalho. É notória a demanda por espaços de governança em que essas características e condições sejam consideradas em estratégias de avaliação e qualificação da vigilância alimentar e nutricional em âmbito locorregional.

Imagem: Freepik


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Atenção Primária à Saúde na percepção de pessoas com necessidades de cuidado em saúde mental: desafios, expectativas e recomendações

Ventura, C A A;
Reis, I d O;
Carrara, B S;
Barbosa, M L d S;
et al.

Atenção Primária à Saúde na percepção de pessoas com necessidades de cuidado em saúde mental: desafios, expectativas e recomendações

A Atenção Primária à Saúde é essencial no primeiro acesso às demandas de saúde mental, integrando-se à Rede de Atenção Psicossocial. Este estudo qualitativo teve como objetivo explorar as percepções de pessoas com necessidades de cuidado em saúde mental sobre o atendimento recebido em unidades de Atenção Primária à Saúde, buscando compreender os desafios, as expectativas e as recomendações. Realizado entre janeiro e setembro de 2021 em seis Unidades de Saúde da Família de um município de São Paulo, Brasil, envolveu entrevistas semiestruturadas com 22 usuários, submetidas à análise temática de Braun e Clarke. Os resultados indicaram que, embora os serviços sejam vistos como acolhedores, há relatos de deficiências no preparo dos profissionais para lidar com demandas de saúde mental. Os participantes enfatizaram a necessidade de maior empatia, capacitação e disponibilidade dos profissionais, além de destacarem a importância de práticas de escuta ativa e respeito à autonomia dos usuários. Foram propostas melhorias no atendimento, como a ampliação de equipes multidisciplinares, a criação de grupos terapêuticos e maior integração entre saúde mental e Atenção Primária à Saúde. O estudo reforça o papel da Atenção Primária à Saúde como espaço estratégico para o cuidado em saúde mental, apontando estratégias para o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial.

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Violência contra a mulher identificada por profissionais farmacêuticos: um ponto de vista peculiar e estratégico

Vieira, Á S d A;
Baptista, E C C B;
Santos, A S d A;
Oliveira, I V;
et al.

Violência contra a mulher identificada por profissionais farmacêuticos: um ponto de vista peculiar e estratégico

O objetivo foi descrever situações de violência contra mulheres identificadas por farmacêuticos no ambiente de trabalho. Adotaram-se métodos mistos para explorar uma survey on-line respondida por farmacêuticos inscritos em Minas Gerais. As questões exploradas foram: “Você já identificou situação de violência contra mulheres envolvendo alguma paciente na sua farmácia/ambiente de trabalho?”; “Descreva uma situação de violência contra mulheres que mais chamou sua atenção.”. Foram determinados frequência da identificação de violência contra mulheres, tipos e fatores associados com análise estatística multivariada. A frequência de palavras nos relatos de violência foi apresentada em nuvem de palavras. Análise de conteúdo conforme Bardin proporcionou a construção de narrativas de situações de violência identificadas por farmacêuticos. De 455 respondentes, 30,6% identificaram violência contra mulheres, destacando-se violência psicológica (47,6%) e física (22,8%). Identificar violência mostrou-se associado com ser mulher/pessoa não binária (odds ratio = 1,86; p = 0,043) e viúva/divorciada (odds ratio = 3,15; p = 0,017). Nos relatos, prevaleceram palavras como “medo” e termos referentes ao agressor. As narrativas ilustram situações que podem ser identificadas por farmacêuticos, servindo de recurso didático e conscientização. A violência contra a mulher está presente no ambiente de trabalho de farmacêuticos, que presenciam suas diversas formas em um contexto peculiar e estratégico para identificação, acolhimento, notificação e mitigação.

Imagem: Freepik


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Licia Oliveira/Radis Artigo

Narrativas e reflexões sobre violências e cuidado por equipes e profissionais da Atenção Primária em Saúde

Simonsen, M C R;
Gomes, L. F.

Narrativas e reflexões sobre violências e cuidado por equipes e profissionais da Atenção Primária em Saúde

O estudo teve por objetivo discorrer sobre a compreensão dos profissionais de um equipamento da Atenção Primária à Saúde na cidade de São Paulo sobre os conceitos de violência e cuidado. A coleta de dados deu-se por meio da realização de grupos focais e entrevistas com profissionais envolvidos no atendimento aos usuários do serviço. O critério de inclusão foi o vínculo do profissional com o equipamento de saúde. Cinquenta e oito profissionais de seis equipes de saúde da família e uma equipe multiprofissional de saúde participaram dos encontros, que foram registrados e transcritos. O texto transcrito foi categorizado sob a perspectiva teórica da análise de conteúdo, que abrangeu quatro dimensões: violência, cuidado, trabalho interprofissional em rede e discussões de caso. As narrativas revelaram percepções influenciadas por histórias de vida e formação teórica; disparidades sociais relacionadas a diferentes papéis profissionais e discrepâncias na vivência de situações e comportamentos que envolvem a violência. Identificaram-se barreiras estruturais, atitudinais e informacionais ao cuidado e ao manejo clínico. A síntese dos relatos reiterou a potência da qualificação das equipes para o trabalho interprofissional em saúde baseado no cuidado integral e longitudinal centrado na pessoa.

Imagem: Licia Oliveira/Radis


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Qualidade de vida relacionada à saúde durante a pandemia de covid-19 em um município do Brasil: estudo de base populacional

Pezzin , J;
Silva, A M d;
Bazoni, P S;
Faria, R J;
et al.

Qualidade de vida relacionada à saúde durante a pandemia de covid-19 em um município do Brasil: estudo de base populacional

O objetivo foi avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde e seus fatores associados durante a pandemia de covid-19. Trata-se de um estudo transversal, de base populacional, realizado por meio de inquérito domiciliar em novembro e dezembro de 2021, em Alegre, Espírito Santo. A amostragem foi probabilística e representativa da população urbana. Coletaram-se dados sociodemográficos, clínicos e de hábitos de vida. Para avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde, utilizou-se o instrumento EQ-5D-3L. As associações foram testadas por meio de regressão de Tobit. Participaram 694 adultos, sendo 72,9% mulheres. A média do escore de utilidade foi de 0,818 e da escala visual analógica de 77,8, com correlação positiva moderada entre ambas. Dos participantes 56,8% relataram problemas. Identificaram-se 62 estados de saúde distintos, definidos como combinações dos níveis de resposta nas dimensões avaliadas pelo instrumento. A qualidade de vida relacionada à saúde associa-se negativamente à pior autopercepção de saúde, deficiência, internação, ansiedade, artrite/artrose, obesidade, polifarmácia e baixa adesão à farmacoterapia, mas sem associação com a covid-19. A qualidade de vida relacionada à saúde foi significativamente impactada por condições crônicas, percepção de saúde e fatores relacionados ao uso de medicamentos, evidenciando a necessidade de políticas de saúde focadas nesses aspectos, especialmente em situação de crise sanitária.


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Marcelo Camargo/Agência Brasil Artigo

A política, o projeto, o sujeito e o objeto: o caso da construção de uma escola médica federal no contexto do Programa Mais Médicos

Merss, C E;
Gomes, M Q;
Cyrino, E. G.

A política, o projeto, o sujeito e o objeto: o caso da construção de uma escola médica federal no contexto do Programa Mais Médicos

No Brasil, diversas iniciativas vêm sendo fomentadas desde a década de 1970 para adequar a educação médica às necessidades da população. Uma delas é o Programa Mais Médicos, que tem como uma de suas frentes a abertura de escolas médicas no interior do país. Este estudo de caso se propõe a analisar a implantação de uma dessas escolas, federal, em uma cidade de interior no Sul do Brasil. Foram utilizadas diferentes fontes de dados, como o projeto político-pedagógico do curso, a narrativa de uma pesquisadora que visitou a escola e a transcrição de entrevistas com múltiplos atores locais, entre eles estudantes e gestores. Realizou-se, então, análise temática de conteúdo, resultando no reconhecimento da potência dessa escola, que se mostrou comprometida com as Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014, apesar de apresentar algum distanciamento do contexto local. Fica evidente, também, o papel dos estudantes nessa conjuntura de pioneirismo, com marcado pertencimento e compromisso com a construção da escola.

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil


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Ministério da Saúde/ flickr Ensaio

Práticas Avançadas em Enfermagem: quais aspectos deste debate interessa à enfermagem brasileira e ao Sistema Único de Saúde?

Koster, I;
Angeli-Silva, L;
Acioli, S;
Barros , R. C. d.

Práticas Avançadas em Enfermagem: quais aspectos deste debate interessa à enfermagem brasileira e ao Sistema Único de Saúde?

As Práticas Avançadas em Enfermagem remontam, historicamente, à ampliação do escopo de prática das enfermeiras como resposta à garantia do acesso aos cuidados de saúde. No Brasil, têm-se verificado debates pouco consensuais sobre essas Práticas no âmbito acadêmico, das entidades representativas, além de organismos internacionais e governamentais. Este ensaio objetivou refletir sobre os elementos sócio-históricos e ético-políticos que envolvem a ampliação do escopo de práticas da enfermeira no contexto brasileiro. Vários fatores contribuem para uma prática ampliada no país, inclusive a legislação, porém, alguns aspectos limitam a atuação plena da enfermeira. Ademais, percebe-se que a formação voltada para as necessidades do Sistema Único de Saúde tem sido comprometida, sobretudo após intensa privatização, além do contexto de iniquidade enfrentado pelas trabalhadoras. Ressalta-se a importância da enfermagem para o sistema de saúde e a construção de um caminho da formação e do trabalho das enfermeiras em consonância com as políticas públicas. Aponta-se que propostas de Práticas Avançadas em Enfermagem necessitam considerar as necessidades de saúde, o processo de trabalho da equipe multiprofissional, o desenho das políticas públicas, além dos aspectos da regulação da formação, do exercício profissional e das condições de trabalho. Os caminhos requerem espaços participativos e construção de consensos mediados pelo Estado.

Imagem: Ministério da Saúde/ flickr


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