A Trabalho, Educação e Saúde (TES) é uma revista científica em acesso aberto, editada pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz.

Edição Atual | v. 4 n. 2 (2006)

Publicação contínua
Artigo

Políticas públicas em trabalho, educação e tecnologia: uma história em movimento

Políticas públicas em trabalho, educação e tecnologia: uma história em movimento

Políticas públicas em trabalho, educação e tecnologia têm sido objeto de intensos confrontos entre forças sociais antagônicas. Este é o tema deste artigo, que visa a levantar questões para um debate sobre algumas das políticas públicas na área da educação profissional e tecnológica. Com este propósito, resgata-se a discussão sobre a relação trabalho-educação — que, no início da década de 1980, justificou a criação do grupo de trabalho intitulado "Trabalho e educação", na Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped) — para, a partir daí, acumular elementos que permitam avaliar os avanços e retrocessos das atuais políticas públicas para a educação profissional e tecnológica. O artigo fundamenta-se no acompanhamento e participação no debate sobre trabalho-educação na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e em pesquisas sobre o tema.


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Artigo

Problematizando o processo ensino-aprendizagem em enfermagem em saúde mental

Barros, S;
Lucchese, R.

10.1590/S1981-77462006000200007

Problematizando o processo ensino-aprendizagem em enfermagem em saúde mental

O artigo apresenta um projeto de pesquisa que problematiza a formação de graduandos na área de saúde mental, especialmente os de enfermagem. Reconhecemos que é necessário aprofundar estudos junto às novas tendências pedagógicas, visando a romper com o modelo tradicional de educação que privilegia a transferência de conhecimento como um fim em si mesmo, a pouca flexibilidade dos currículos e a rigidez dos papéis do professor e do aluno, fatores que impedem a formação crítico-reflexiva dos profissionais. Diante desta problemática, fomos buscar na pedagogia das competências amparo teórico para a mudança necessária no sentido de melhorar e atualizar o processo ensino-aprendizagem. Propomos um diálogo entre a prática e o ensino da assistência de enfermagem psiquiátrica e de saúde mental, em que docentes e enfermeiros trabalhadores possam indicar um caminho para a identificação e construção das competências necessárias para que o enfermeiro atue eficazmente em situações reais na saúde mental.


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Artigo

O ensino da saúde pública no Brasil: os primeiros tempos no Rio de Janeiro

Santos, L A d C;
Faria, L.

10.1590/S1981-77462006000200005

O ensino da saúde pública no Brasil: os primeiros tempos no Rio de Janeiro

Busca-se neste artigo recuperar as primeiras décadas do ensino da saúde pública no Rio de Janeiro, uma vez que a antiga capital federal revelou-se importante centro formador de profissionais sanitaristas. No Rio de Janeiro, o governo federal implantou centros de saúde pioneiros e contou com o auxílio técnico e os recursos humanos da Fundação Rockefeller. Partindo do contexto socioeconômico e político da década de 1920, o trabalho abrange o ensino da saúde pública durante a Primeira República, estende-se aos tempos de Vargas e Capanema e se encerra, aproximadamente, no início da década de 1960. Analisa-se a trajetória dos cursos de saúde pública e higiene no Rio de Janeiro, desde os tempos de médicos empreendedores de renome — como Carlos Chagas, Afrânio Peixoto, João de Barros Barreto e José Paranhos Fontenelle ainda no primeiro quartel do século XX. Esses nomes ligaram-se intimamente à história dos primeiros cursos para formação de profissionais na área de saúde pública, na capital da República e em todo o Brasil.


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Artigo

Perspectivas interdisciplinar e rizomática na formação dos profissionais da saúde

Bagnato, M H S;
Monteiro, M. I.

10.1590/S1981-77462006000200003

Perspectivas interdisciplinar e rizomática na formação dos profissionais da saúde

Este artigo tem como objetivo problematizar aspectos das perspectivas interdisciplinar e rizomática na formação de profissionais da área da saúde. Ambas as atitudes requerem olhares plurais e outras posturas dos educadores nas relações que estabelecem com os sujeitos e com os conhecimentos, visando a superar maneiras fragmentadas dos processos de trabalho e de produção de ciência, recuperando o caráter dialético da realidade social. Os desafios postos por estas perspectivas convidam todos os educadores envolvidos eticamente neste processo a refletirem sobre a inclusão de temas e dimensões que perpassam transversalmente o processo de formação profissional e a produção de conhecimentos, movimentando territórios, compreensões e subjetividades, o que pode possibilitar interpretações inovadoras e polissêmicas, bastante desejáveis para se lidar com a complexidade da realidade, inclusive na área da saúde.


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Artigo

O ensino de história da enfermagem nos cursos de graduação de Santa Catarina

Padilha, M. I. C. d. S.

10.1590/S1981-77462006000200006

O ensino de história da enfermagem nos cursos de graduação de Santa Catarina

Partindo da idéia de que o ensino da história da enfermagem é fundamental para a formação dos alunos do curso de graduação e de que a forma como se ministra o seu conteúdo proporciona ou não a aderência a este conhecimento, esta pesquisa pretende estabelecer uma rede de contatos com todas as escolas de enfermagem de Santa Catarina para traçar um diagnóstico do ensino de história da enfermagem. Este poderá subsidiar a criação de uma política para nortear a reformulação curricular da disciplina, face às necessidades do Estado. A metodologia é qualitativa e a coleta de dados inicial identificou, a partir de 15 escolas de enfermagem do Estado, o modus operandi do desenvolvimento da disciplina ao longo do curso. Uma análise inicial indica que as estratégias educacionais e curriculares são variadas, havendo interfaces entre elas. Percebe-se um avanço relativo à carga horária e às estratégias de ensino-aprendizagem, porém a inserção do conteúdo em questão ainda carece de reflexão coletiva sobre a sua importância no currículo dos cursos.


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Resenha
Resenha
Ensaio

Trabalho, sociabilidade e individuação

Trabalho, sociabilidade e individuação

O ensaio argumenta que o fato de vivermos em uma sociedade que se reproduz enquanto uma 'imensa coleção de mercadorias' faz com que a mercadoria seja a relação social predominante entre os indivíduos. Como, entre as características decisivas da mercadoria, está o desprezo da utilidade dos produtos do trabalho na mesma propoprção do predomínio do lucro (o predomínio do valor de troca sobre o valor de uso), uma sociedade mercantil é aquela na qual a produção tem por objetivo não as necessidades humanas, mas o lucro. Com a crise estrutural do capital que se instaura a partir dos anos 70 (Mészáros), a manutenção de uma sociedade que se reproduz pela mediação da reprodução da mercadoria impõe aos seres humanos uma vida crescentemente alienada. Alienada em dois sentidos: as necessidades humanas comparecem de modo cada vez mais débil na produção social e, por outro lado, a produção perdulária e destrutiva torna-se a expressão predominante da desumanidade do capital. É neste conjunto de fatores que se baseiam as determinações fundamentais que articulam, hoje, o trabalho, a totalidade social (a sociabilidade) e a reprodução dos indivíduos (a individuação).


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Debate

Da atualidade da servidão voluntária

Da atualidade da servidão voluntária

Os processos de sujeição voluntária parecem consubstanciais à expansão do capitalismo. A transformação ocorrida no caráter da propriedade, tornando-a móvel e flexível, sob a forma dinheiro, tem sua contrapartida em nova mobilidade dos trabalhadores, expropriados do controle do conjunto do processo produtivo e tornados disponíveis como mera capacidade produtiva. A liberdade contemporânea não é mero engodo, pois expressa longa luta pela redução dos laços de controle de tipo senhorial, levada a efeito pelos camponeses e pelos trabalhadores urbanos. Mas também não pode ser considerada como expressão de uma real libertação humana, uma vez que repousa sobre formas de expropriação que, de maneira aparentemente 'natural', impõem aos trabalhadores sua própria sujeição. Na atualidade, o aprofundamento da separação realizada entre a propriedade econômica e as possibilidades de intervenção política agrava as condições dessa "servidão voluntária" e vem sendo, de forma quase sarcástica, apresentado como "trabalho voluntário".


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Debate

Educação permanente: direito de cidadania, responsabilidade do estado

Educação permanente: direito de cidadania, responsabilidade do estado

Com o objetivo de manter interlocução com as formulações de Adriana Geisler, que analisam o significado da cidadania no Brasil hoje e propõem "identificar a que conceito de cidadania a noção de politecnia se filia", o texto procura contribuir para a contextualização do debate na realidade social brasileira, apresentando algumas reflexões sobre a forma assumida pelos direitos sociais e a condução das políticas governamentais no sentido de firmar sua universalidade no país. Neste percurso, discorre, em primeiro lugar, sobre o significado da educação permanente como direito social coletivo, e, em seguida, analisa, a partir das transformações na natureza e atuação do Estado nos anos 1990, as mudanças na configuração dos direitos sociais e das políticas públicas de educação e trabalho. Por fim, retoma-se a discussão da educação politécnica procurando dimensioná-la, bem como sua importância, nas condições atuais de escolarização da população brasileira.


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Debate

Breves anotações sobre a educação politécnica como parte de um projeto emancipador

Arantes, E. M. d. M.

10.1590/S1981-77462006000200009

Breves anotações sobre a educação politécnica como parte de um projeto emancipador

Ao problematizar a crise da modernidade o artigo evidencia os desafios colocados à educação como parte de um projeto emancipador. Endossa a crença dos educadores de que nenhuma mudança estrutural se fará apenas com a educação, embora nenhuma mudança significativa possa se fazer sem ela.


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Debate

Qual cidadania, qual democracia, qual educação?

Qual cidadania, qual democracia, qual educação?

O texto tem o fito de dialogar criticamente com o texto Revisitando o conceito de cidadania: notas para uma educação politécnica, de Adriana Gleisler, que procura "recolocar a questão do significado da cidadania hoje", na perspectiva de "identificar a que conceito de cidadania a noção de politecnia se filia". Nesse sentido, o presente texto, organizado em três momentos, pretende oferecer uma visão alternativa àquela posta pela autora. Na seção, Qual cidadania, em qual democracia, discutimos sumariamente os conceitos de cidadania e democracia, articulando-os aos respectivos contextos da chamada redemocratização e do governo Lula. Procuramos, com isso, revelar a opção política das forças que trabalharam pela 'transição democrática', atualizadas — de certa forma — no atual governo. Em Qual educação politécnica, retomamos o conceito de educação politécnica e, a partir dele, tentamos mostrar como a opção política de cariz aliancista acabou por arrefecer o ímpeto socialista, desarmando o discurso educacional crítico de sua mais importante base: a luta pela superação da sociedade de classes. Finalmente, em As duas faces de uma miragem, procuramos (re)apresentar de forma sintética a relação de subordinação política tanto no aspecto mais geral, quanto no aspecto do debate educacional.


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Debate

A cidadania como pertencimento: uma reflexão a partir da psicanálise

A cidadania como pertencimento: uma reflexão a partir da psicanálise

O artigo discute o trabalho de Adriana Geisler sobre a educação politécnica focando as questões referidas à emergência da subjetividade. Defendendo a perspectiva que concebe o processo de subjetivação como indissociável da inserção social, critica o conceito de indivíduo, propondo sua substituição pelo conceito de singularidade do sujeito. Utilizando as ferramentas teóricas elaboradas pela teoria psicanalítica, o artigo mostra os limites do pensamento de Freud nas questões vinculadas à concepção do indivíduo e de suas relações com a sociedade, expondo sumariamente a elaboração de D. Winnicott que, neste ponto, procede a uma revisão radical da teoria freudiana.


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Debate

Revisitando o conceito de cidadania: notas para uma educação politécnica

Revisitando o conceito de cidadania: notas para uma educação politécnica

A contrapelo de um projeto de sociedade e de escola que vem negando cidadania efetiva a um amplo contingente de jovens e trabalhadores no Brasil, a concepção politécnica surge como parte de um projeto emancipador que se distancia da ideologia liberal e de seus reflexos no campo do trabalho e da educação. Ao recolocar a questão do significado da cidadania hoje, este texto tem como objetivo identificar a que conceito de cidadania a noção de politecnia se filia, considerando o campo das práticas educativas e suas interfaces com a atual configuração do mundo do trabalho.


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Entrevista

Entrevista: Yves Schwartz

Gomes, L;
Abrahão, A L;
Vieira, M.

10.1590/S1981-77462006000200015

Entrevista: Yves Schwartz

Yves Schwartz é membro do Instituto Universitário da França (IUF) e diretor científico do Departamento de Ergologia da Université de Provence. Entre seus trabalhos, destacamos Expérience et connaissance du travail (Méssidor: Eds. Sociales, 1988), Travail et philosophie: convocations mutuelles (Tolouse, Octarès, 1992) e Le paradigme ergologique ou um métier de philosophe (Tolouse, Octarès, 2000). Desde os anos 90, desenvolve cooperação com grupos de pesquisa na Fiocruz (Pós-graduação em Saúde Pública, subárea Saúde, Trabalho e Ambiente), na Uerj (Pós-graduação em Psicologia Social, em Letras e na Faculdade de Engenharia), na UFF (Pós-graduação em Engenharia de Produção e em Psicologia), na Unirio, na UFRJ (Pós-graduação em Engenharia de Produção) e na UFRRJ. Esta entrevista foi realizada em outubro de 2005. Nela, Yves Schwartz discute alguns dos principais conceitos da perspectiva ergológica, além de apontar aspectos históricos e teórico-metodológicos relacionados à emergência desta perspectiva na França dos anos 80. A perspectiva ergológica desenvolvida através do "dispositivo dinâmico de três pólos", associa, de forma original, profissionais de pesquisa a trabalhadores na investigação do "mundo do trabalho" e suas transformações. Entre outras influências, destaca a colaboração com o grupo de pesquisa-intervenção de Ivar Oddone e a influência da obra de Georges Canguilhem


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Relato de experiência

Repensando a avaliação: perspectivas criativas para a educação profissional na área da saúde do trabalhador

Repensando a avaliação: perspectivas criativas para a educação profissional na área da saúde do trabalhador

Este trabalho propõe a discussão de formas alternativas às provas e aos testes na avaliação escolar. Sendo assim, foram apresentadas duas experiências realizadas com alunos do Curso Técnico de Vigilância Sanitária e Saúde Ambiental, da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, unidade da Fundação Oswaldo Cruz, que visavam à ruptura com o modelo tradicional de avaliação, marcado pela relação verticalizada entre professor e aluno no processo de ensino-aprendizagem. Argumenta-se que, dependendo da forma como é conduzida, a avaliação pode ser um instrumento autoritário, punitivo e estigmatizante e, nesse sentido, cabe aos profissionais da área de educação uma reflexão sobre seu posicionamento ideológico e político, a fim de perceberem se sua prática docente estaria contribuindo para a manutenção das desigualdades sociais.



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