A Trabalho, Educação e Saúde (TES) é uma revista científica em acesso aberto, editada pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz.

Edição Atual | v. 7 n. 3 (2009)

Publicação contínua
Editorial

Editorial v7n3

Pereira, I B;
Fonseca, A F;
Martins, C. M.
Artigo

Vida, saúde e trabalho: dialogando sobre qualidade de vida no trabalho em um cenário de precarização

Athayde, M;
Brito, J.

10.1590/S1981-77462009000300012

Vida, saúde e trabalho: dialogando sobre qualidade de vida no trabalho em um cenário de precarização

Com este artigo, pretendemos dialogar com o texto elaborado por Padilha, base para o debate neste número da revista, tendo como desafio discutir algumas das questões que emergem do artigo em foco. Neste mesmo movimento, aproveitamos para assinalar algumas de nossas posições a respeito. Iniciamos colocando em pauta a urgência de uma perspectiva crítica e afirmativa da potência da vida frente aos impedimentos e constrangimentos tão frequentes e poderosos (como o processo de precarização do trabalho em curso), tema de nosso segundo tópico. Concluindo o diálogo, colocamos sinteticamente em foco o processo de emergência da questão da 'Qualidade de Vida' e posteriormente a da chamada 'Qualidade de Vida no Trabalho', concluindo por discutir do que se trata.


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Artigo

Qualidade de vida no trabalho num cenário de precarização: a panaceia delirante

Qualidade de vida no trabalho num cenário de precarização: a panaceia delirante

Este texto analisa os fatores de precarização do trabalho em relação com a qualidade de vida do trabalhador. Desenvolve uma linha de raciocínio crítico que começa entendendo os contornos do trabalho precário na ordem do capital, passa pela compreensão do que é Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) para chegar à análise dos desafios encontrados hoje pelos trabalhadores em relação às possibilidades de viver tanto o trabalho quanto a vida cheios de sentido, em direção a um projeto de emancipação humana. A ideia principal defendida é a de que políticas de QVT adotadas em empresas podem aliviar momentaneamente alguns sintomas, mas não ferem as causas estruturais dos problemas. A humanização da gestão da força de trabalho pode ser uma encenação necessária no interior das organizações, mas não deve ser vista como solução para os males do trabalho.


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Artigo

Discriminações, estímulos e obstáculos no campo profissional da medicina: um olhar de gênero e gerações

Discriminações, estímulos e obstáculos no campo profissional da medicina: um olhar de gênero e gerações

Este artigo aborda, de forma comparativa, a realidade objetiva e representações de homens e mulheres sobre seu trabalho na medicina e as interfaces com a esfera doméstica. São analisados discriminações, estímulos e obstáculos para a carreira profissional, na perspectiva de gênero e gerações. Os dados foram coletados no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), integrando técnicas quantitativas e qualitativas. Os resultados indicam que, para explicar os fatores de estímulo para a carreira, as mulheres parecem voltar-se mais para elementos da vida privada enquanto os homens enfatizam mais alguns fatores externos. Ambos salientam a importância de ter um 'modelo' de profissional tomado como ideal para o exercício profissional e um ambiente acadêmico positivo, com apoio institucional e bom relacionamento com os colegas de trabalho. Entre os obstáculos: excesso de trabalho, falta de tempo e dificuldades financeiras, observando-se diferenciações de gênero quanto à vida familiar e problemas pessoais. Foram salientadas as 'vantagens comparativas' das mulheres no desempenho das suas atividades. Este estudo pode contribuir para a implementação de ações positivas para a melhoria das condições do trabalho profissional e da equidade de gênero, tanto na esfera pública quanto na privada.


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Artigo

A formação de profissionais de saúde em instituições de ensino superior de Divinópolis, Minas Gerais

Moraes, J T;
Lopes, E. M. T.

A formação de profissionais de saúde em instituições de ensino superior de Divinópolis, Minas Gerais

Este artigo é resultado de um trabalho descritivo e exploratório realizado com os coordenadores e professores dos cursos de Enfermagem e de Nutrição de duas instituições de ensino superior do município de Divinópolis, Minas Gerais. Busca-se detectar e avaliar as mudanças na formação dos profissionais de saúde, mediante a observação do que ocorre nesse município, além de caracterizar a formação do profissional de saúde, à luz da legislação pertinente e com ênfase na política e programas de saúde pública propostos pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de saúde. Problemas com as ações interdisciplinares e os princípios, diretrizes e conceitos relacionados ao Sistema Único de Saúde estão entre as principais dificuldades relatadas pelos entrevistados. É um trabalho científico que pretende somar ao conhecimento já produzido e servir de apoio às discussões que coordenadores, professores e alunos queiram fazer sobre a necessária atualização dos saberes e fazeres profissionais de enfermagem e nutrição, segundo o novo modelo de saúde em desenvolvimento no Brasil.


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Artigo

Qualidade de vida versus condições de vida: um binômio dissociado

Qualidade de vida versus condições de vida: um binômio dissociado

Neste artigo, defendo que as políticas de promoção da qualidade de vida no trabalho atualmente adotadas pelas empresas podem servir como um paliativo para aliviar os sintomas provocados pela intensificação do trabalho, mas não logram resolver as causas estruturais dos problemas enfrentados pelos trabalhadores. Reforço esta idéia argumentando que a necessidade de 'humanizar' o trabalho tem tradição na preocupação gerencial e, reafirmando a polissemia, a não materialidade e a relatividade do conceito de 'qualidade de vida no trabalho', demonstro que ele é um modismo gerencial que assume sentidos distintos nas representações de gestores e de trabalhadores e que, atualmente, o trabalho não oferece condições para que os trabalhadores realizem o processo de adaptação biopsicossocial necessário para garantir a vida. Defendo a adoção da noção de 'condições de vida' porque ela remete ao controle dos trabalhadores sobre as relações e condições de trabalho como uma possibilidade, o que requer entender o processo de produção de conhecimento sobre o trabalho como representações socialmente construídas e partilhadas.


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Artigo

Qualidade de vida n(d)o trabalho: um conceito político e polissêmico

Lacaz, F. A. d. C.

10.1590/S1981-77462009000300011

Qualidade de vida n(d)o trabalho: um conceito político e polissêmico

Neste texto objetiva-se chamar atenção para a historicidade e a polissemia do conceito de Qualidade de Vida n(d)o trabalho (QVT) ou, melhor dizendo, Qualidade do Trabalho (QT) e seu caráter político, na medida em que envolve interesses de classe contraditórios; na perspectiva de colocá-lo num patamar de discussão que questiona a abordagem 'clínica' comumente adotada pelo capital e que coloca como principal estratégia a mudança de 'hábitos' dos indivíduos. Assim, desloca-se a discussão para a categoria 'controle' sobre os processos de trabalho, na perspectiva dos coletivos de trabalhadores, o que permite articular o conceito à noção de que atingir a QVT envolve um embate político que é dado pela correlação de forças capital-trabalho, em sociedades concretas. Neste sentido, mesmo que se considere incompatível pensar em QVT numa realidade de precariedade do trabalho (e de direitos), advoga-se que a introdução no debate de um outro 'olhar' sobre a questão, o qual também tem um forte caráter político, contra-hegemônico, pode contribuir para o enfrentamento do 'discurso único' e da prática a ele acoplada, as quais são defendidas como sendo 'o' modelo de abordagem da QVT por parte das empresas e dos intelectuais da própria academia que as assessoram.


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Artigo

Residência multiprofissional em saúde e pós-graduação lato sensu no Brasil: apontamentos históricos

Rosa, S D;
Lopes, R. E.

10.1590/S1981-77462000006

Residência multiprofissional em saúde e pós-graduação lato sensu no Brasil: apontamentos históricos

Trata-se da discussão da educação superior brasileira, tomando-se como parâmetro a especialização no conjunto da pós-graduação, a partir da análise do Programa da Residência Multiprofissional em Saúde, reconhecido como pós-graduação lato sensu. Utilizou-se a pesquisa histórica e documental como instrumento para análise dos problemas enfrentados no modelo de formação proposto no referido programa e apresentado pelos ministérios da Educação e da Saúde como base para a consolidação da política nacional de educação em saúde. Os resultados alcançados nos permitem afirmar a importância da pós-graduação lato sensu no âmbito da educação em saúde. Contudo, sua oferta descontínua e, na maioria dos casos, não acadêmica, tem caracterizado um modelo limitado pela lógica mercantil, evidenciando a falta de políticas públicas que assegurem a devida qualificação profissional. A Residência Multiprofissional em Saúde pretende ser uma nova estratégia para políticas de educação permanente que, enfocando categorias profissionais não médicas da área, favoreça a produção das condições necessárias para mudanças no modelo médico-assistencial restritivo, ainda hegemônico, de atenção em saúde. Resta saber se essa interferência no modelo educacional vai contribuir para uma melhor ação profissional ou se restringe à estruturação da rede de serviços públicos, através da oferta de um campo de trabalho precarizado.


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Artigo

Vigilância em saúde do trabalhador: passos para uma pedagogia

Vasconcellos, L C F d;
Almeida, C V B d;
Guedes, D. T.

Vigilância em saúde do trabalhador: passos para uma pedagogia

A Vigilância em Saúde do Trabalhador (Visat) compõe um conjunto de práticas legalmente inscritas no Sistema Único de Saúde (SUS) e recomendadas pelas diretrizes políticas que tratam das relações saúde-trabalho no Brasil. Entretanto, a Visat ainda é inusual e, quando existe, depende de atitudes voluntaristas de alguns profissionais no nível dos serviços. Afora a omissão gerencial do sistema de saúde para a sua implementação, uma das razões para que isso ocorra é a falta de capacitação técnica de agentes públicos para efetuá-la. O artigo trata de uma proposta metodológica para a capacitação em Vigilância em Saúde do Trabalhador, a partir de experiências desenvolvidas há alguns anos, no campo de ensino em serviço. Para isso, são discutidas as bases teórico-conceituais que norteiam a construção do campo da saúde do trabalhador e a pedagogia problematizadora utilizada no processo de educação permanente do SUS.


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Artigo

Qualificação de agentes comunitários de saúde: instrumento de inclusão social

Melo, M B d;
Brant, L C;
Oliveira, L A d;
Santos, A. P. d. S.

Qualificação de agentes comunitários de saúde: instrumento de inclusão social

A prática do agente comunitário de saúde (ACS) se estabelece como profissão na esfera do Sistema Único de Saúde (SUS) em 2002. Suas atividades contribuem para o diagnóstico demográfico de comunidades; promoção de ações educativas; participação da população nas políticas públicas e visitas domiciliares. A formação é de responsabilidade das escolas técnicas e centros formadores de recursos humanos do SUS. Essa investigação busca identificar, analisar e compreender as transformações operadas na vida dos ACS a partir de sua inserção no Programa de Qualificação e Desenvolvimento Profissional e do seu exercício profissional. Metodologicamente, constitui-se como estudo qualitativo, utilizando grupo focal. Para análise dos dados, empregou-se a técnica de Análise de Conteúdo. Constatou-se que o programa favorece a consolidação de políticas de atenção à saúde e contribui para a construção coletiva do conhecimento. O Ministério da Saúde, ao profissionalizar as ações do ACS, legitima um saber favorecedor de sua inserção nos serviços de saúde e aumenta a governabilidade local. Para os ACS, a formação propicia a superação de limites impostos pelas práticas tradicionais e demarca a produção do saber. O ACS se reconhece como um sujeito de ação, e a formação constitui meio de acesso à profissionalização e de mobilidade social.


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Resenha

Territórios e identidades: questões e olhares contemporâneos

Territórios e identidades: questões e olhares contemporâneos

Resenha


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Resenha
Ensaio

A estratégia dos bônus: três pressupostos e uma consequência

Oliveira, M. B. d.

A estratégia dos bônus: três pressupostos e uma consequência

A 'estratégia dos bônus' é definida como a prática, por parte dos empregadores, de procurar fazer com que os empregados trabalhem mais e melhor usando como incentivo a concessão de vantagens monetárias adicionais ao salário, condicionadas ao aumento de produtividade. Dois exemplos da estratégia são mencionados, um deles referente à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, outro à Universidade de São Paulo. Examinam-se a seguir três pressupostos da estratégia a concepção penosa do trabalho, o trabalhador imbuído do espírito do capitalismo e a recompensa monetária como única forma de incentivo procurando-se mostrar que nenhum deles tem validade universal, sendo portanto estritamente falsos. Apresentam-se a seguir evidências adicionais para a invalidade dos pressupostos, oriundas do trabalho de professores aposentados, ou que já têm condições de se aposentar, mas continuam na ativa. Na última seção é exposta a consequência mais nefasta do uso da estratégia dos bônus: a 'idiotização' da sociedade.


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Entrevista

Entrevista: Hugh Lacey

Entrevista: Hugh Lacey

Hugh Lacey é Professor Emérito de Filosofia da Família Scheuer e Pesquisador Sênior na Swarthmore College (Pennsylvania, EUA), onde lecionou por trinta
anos, e Pesquisador Colaborador no Projeto Temático “Gênese e significado da tecnociência: relações entre ciência, tecnologia e sociedade”, USP/Fapesp. Entre 1969 e 1971 ele foi conferencista no Departamento de Filosofia na Universidade de São Paulo e desde então tem desenvolvido uma intensa interação com universidades brasileiras e institutos de pesquisa, com muitas outras visitas. Alguns dos seus principais interesses de pesquisa são: a interação entre fatos e valores, a relevância do desenvolvimento de alternativas para as práticastecnocientíficas(agroecologia, por exemplo), o princípio da precaução e os transgênicos. Para conduzir esta entrevista, convidamos a professora Brena Paula Magno Fernandes1, da Universidade Federal de Santa Catarina. Para encerrar essa breve apresentação do entrevistado,2 é importante mencionar as numerosas publicações do professor Lacey, algumas delas listadas no final da entrevista, como também algumas publicações sobre seu trabalho realizadas por pesquisadores brasileiros. Uma lista mais completa dos seus livros e artigos pode ser encontrada no site da Associação Filosófica Scientiae Studia, <www.scientiaestudia.org.br>.


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Relato de experiência

Formação técnica do agente comunitário de saúde: desafios e conquistas da Escola Técnica de Saúde do Tocantins

Silva, C A d;
Rocha, I Q;
Siqueira, M C G;
Modesto, M d S A;
et al.

10.1590/S1981-77462009000300014

Formação técnica do agente comunitário de saúde: desafios e conquistas da Escola Técnica de Saúde do Tocantins

Este relato versa sobre a experiência da Escola Técnica de Saúde do Tocantins no processo educativo de formação técnica dos agentes comunitários de saúde. Trata-se aqui de apresentar como esses agentes foram capacitados para atuar junto à equipe multiprofissional de saúde em uma perspectiva profissional transformadora da realidade, crítica, reflexiva e ética, destacando-se o desenvolvimento das ações de integração social, promoção da saúde e prevenção de agravos na família e na comunidade. A formação técnica do agente comunitário de saúde incluiu três módulos, totalizando uma carga horária de 1.200 horas. No primeiro módulo, foram contemplados temas como a contextualização, aproximação e dimensionamento do perfil profissional do agente; no segundo, a promoção da saúde e a prevenção de doenças dirigidas a grupos específicos e doenças prevalentes; e no terceiro, a promoção, a prevenção e o monitoramento das situações em Vigilância em Saúde. Para esta formação, a Escola Técnica de Saúde do Tocantins optou pela descentralização das salas de aula (69 turmas) em 18 polos formativos, atendendo a demanda dos 139 municípios do estado, facilitando a participação dos 2.219 alunos-servidores que concluíram o itinerário completo da formação.


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