e-ISSN: 1981-7746
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Propõe-se neste ensaio o uso pedagógico da canção Geni e o zepelim, de Chico Buarque (1978), como tema gerador na formação médica em saúde mental no Brasil de 2026. Apresenta-se o conceito de compaixão seletiva, oscilação temporal pela qual o cuidado coletivo é alocado pela utilidade percebida do destinatário, em diálogo com noções vizinhas: estigma, competência estrutural, estresse de minorias e duplo padrão na compaixão clínica. Fundamenta-se o uso pedagógico em três tradições convergentes: a pedagogia crítica de Paulo Freire, o teatro do oprimido de Augusto Boal e o conceito de making strange na arts-based learning em educação médica de Kumagai. Examinam-se quatro cenários clínicos em que o mecanismo opera com modulações distintas: ambulatório especializado em populações lésbicas, gays, bi, trans, queer/questionando, intersexo, assexuais/arromânticas/agênero, pan/poli, não-binárias e mais, enfermaria de hospital geral, emergência psiquiátrica e consultoria psiquiátrica. Considera-se o segundo tempo cultural da canção em 2026 e discute-se o que a educação médica em saúde mental é convocada a sustentar quanto à formação ética e política dos profissionais que atendem pessoas trans e de outras modalidades de gênero.
Imagem: Gatú Filmes